A escolha que define quanto você paga de imposto
Toda vez que início o atendimento de um novo cliente, uma das primeiras perguntas que faço é: 'Por que você está nesse regime tributário?' A resposta mais comum? 'Foi o que o contador anterior sugeriu quando abri a empresa.'
E aí está o problema. O regime tributário correto não é definitivo — ele precisa ser revisado anualmente à medida que o negócio cresce, a margem de lucro muda e o perfil das despesas evolui. Uma escolha certa em 2018 pode estar custando caro em 2026.
Simples Nacional: a opção mais conhecida
O Simples Nacional é um regime unificado que recolhe vários tributos em uma única guia (DAS). É destinado a microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
- Vantagens: guia única, menos burocracia, alíquotas iniciais menores para comércio e indústria
- Desvantagens: alíquotas crescem com o faturamento; alguns serviços têm alíquotas altas (Anexo V); teto de faturamento
- Ideal para: empresas em início de atividade, comércio com margens menores, serviços com Fator R favorável
- Atenção: nem toda empresa pode optar — atividades vedadas incluem instituições financeiras, algumas profissões regulamentadas e empresas com sócios PJ
Lucro Presumido: equilíbrio entre simplicidade e flexibilidade
No Lucro Presumido, o IRPJ e a CSLL são calculados sobre uma margem de lucro presumida pela lei — que varia conforme a atividade (8% para comércio, 32% para serviços). PIS e COFINS são calculados no regime cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3%).
- Vantagens: simples de calcular; vantajoso para empresas com margem real acima da presumida; sem teto de faturamento (até R$ 78 mi/ano)
- Desvantagens: PIS/COFINS cumulativo sem aproveitamento de créditos; pode ser desvantajoso para empresas com muitas despesas dedutíveis
- Ideal para: prestadores de serviços com boa margem real, empresas com faturamento acima do limite do Simples
- Cuidado com: empresas de serviços com margens reais abaixo de 32% — paga mais imposto do que o necessário
Lucro Real: para quem tem margem baixa ou muitas despesas
No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL incidem sobre o lucro efetivamente apurado. PIS e COFINS são no regime não cumulativo (alíquotas de 1,65% e 7,6%, com aproveitamento de créditos).
- Vantagens: se a empresa tem prejuízo, não paga IRPJ/CSLL; créditos de PIS/COFINS sobre insumos podem reduzir muito o imposto
- Desvantagens: mais burocrático, exige contabilidade completa e rigorosa; SPED Contábil e ECD obrigatórios
- Ideal para: empresas com margens apertadas, indústrias com muitos insumos, empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões (obrigatório)
- Atenção: erros contábeis podem gerar autuações severas — exige contador experiente
Como escolher: os fatores que eu avalio
Quando faço uma análise de enquadramento para um cliente, considero quatro variáveis principais:
- Faturamento anual e projeção de crescimento para os próximos 2-3 anos
- Margem de lucro real da operação
- Volume e natureza das despesas dedutíveis
- Perfil das atividades e possibilidade de utilizar o Fator R
Revisão anual: o que poucos fazem e faz toda a diferença
A lei permite a mudança de regime tributário uma vez por ano, na virada do exercício. Muitas empresas nunca fazem essa revisão e continuam pagando mais do que deveriam.
Já ajudei clientes a economizar entre R$ 3.000 e R$ 25.000 por mês simplesmente migrando de regime após uma análise detalhada. Não é mágica — é planejamento tributário bem feito.
Se você não revisou seu regime nos últimos 12 meses, provavelmente está deixando dinheiro na mesa. O melhor momento para fazer essa análise é entre outubro e dezembro, com tempo para fazer a opção em janeiro.
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